As obras de Tereza continuam mostrando belíssima qualidade plástica e vibrante expressão social.
A artista monta a maioria das figuras entrelaçadas uma às outras a tal ponto que parecem constituir uma massa humana. Delas não se vislumbra erotismo, desejo ou indignação. O aparato carnal que ilustra antigas relações sociais representam um mundo passado. Tereza trata as figuras com posições deformadas ou naturalmente disformes como se inspirasse uma nova construção do homem e do mundo que nos resta.
Os nus e a pintura das massas carnais das figuras e as perspectivas atitudes formais, dão um sentido trágico nos quadros. A artista não criaria outra obra de arte que não tocasse na sensibilidade das pessoas. Com cores e traços, ela sempre compõe um cântico de exaltação à nobreza dos gestos e dos sentidos. A humanidade, parece, perdeu o passo e o rumo. A composição das pinturas segue um ritmo seguro de montagem, para que seja possível captar a expressão plástica da autora: em primeiro, plano, surgem corpos entrelaçados. Depois, as obras mostram partes das massas das figuras. E, finalmente, parte dos corpos misturam-se criando uma matéria explícita do
vir a ser.
As obras atuais da pintora parecem avisar-nos de que falhou de vez este mundo conhecido e se faça urgente um novo mundo.
Radha Abramo - São Paulo, 2003
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