Mesopotâmia

Supõe-se que o primeiro produto criado pelo homem com o fim específico de vestir-se tenha sido um retângulo de tecido, que ele passou a usar ao redor da cintura, preso por tiras ou simplesmente amarrado com um nó, numa forma primitiva de saia. Nas vastas planícies da Mesopotâmia, onde tal traje foi pela primeira vez confeccionado, a matéria-prima predominante era o linho, resultando daí o predomínio do branco como sua cor característica. Nessa região também se estabeleceu pela primeira vez o uso do véu pelas mulheres.(cerca de 4000 AC)

Egito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Encontramos no antigo Egito um claro exemplo do uso das roupas como signo de distinção social. Escravos andavam completamente nus, ou quase, cabendo o uso das vestimentas apenas às classe mais elevadas. Por sua conta e em seu benefício é que foram explorados novos corantes e fibras, para produzir tecidos de diferentes pesos que chegaram a criar transparências. Assim surgiram trajes mais ricos, revelando já um gosto refinado e vaidoso. (1300- 200 AC)

O mundo greco-romano

Apesar de comportar pouca costura, o vestuário greco-romano possibilitava uma rica variedade de ajustes ao corpo. Formado por retângulos de tecido, ele era preso com tiras, de tecido ou de couro, permitindo inúmeras formas de disposição dos drapeados. Estas formas se tornaram parte da linguagem social do vestuário, já que variavam segundo a ocasião em que a roupa era usada ou a categoria social de quem a utilizava. Cabelos e acessórios, sobretudo as jóias, passaram a fazer parte da vestimenta, complementando os trajes. (900 AC - 400 DC)

Os povos bárbaros

Sob o impacto das invasões dos povos nórdicos e do Leste, reorganizou-se o mundo criado pelo Império romano, para dar lugar a um novo Império cristão. Esses povos, chamados desdenhosamente de bárbaros, vestiam peles sobre jaquetas de couro, símbolo da força do caçador, e calças ajustadas com amarrações de tiras do mesmo material. E, para não serem confundidos com escravos romanos, usavam cabelos e barbas longas. Já as mulheres vestiam túnicas rústicas de lã sobrepostas. Apesar do seu desprezo pelos bárbaros, o antigo Império não deixaria de assimilar essas inovações no arranjo de seu vestuário. (cerca de 400)

A Europa medieval

As calças usadas pelos bárbaros para a montaria e as batalhas se difundiram no território europeu. A espécie de meia então adotada pelos homens logo deu lugar às calças, permitindo-lhes maior liberdade de movimento. Já as roupas femininas ganharam volume e peso, impedindo as mulheres de executar tarefas consideradas masculinas. Mas as cores e tecidos de seus trajes passaram a ser vistos como elementos de identificação da posição social de quem os vestia, tal como as jóias que usava. O mesmo ocorreu com as calças masculinas: os nobres as usavam justas e as classes menos favorecidas, folgadas. No mesmo período surgiram as vestes cerimoniais dos ofícios religiosos cristãos. Uma indumentária caracteristicamente européia começava a se constituir. (700 -1200)

Oriente

Ao longo das Cruzadas, o contato dos europeus com os povos islâmicos infiéis, chamados indistintamente de árabes, mouros ou turcos, lhes revelou as delícias do luxo. A descoberta desse Oriente próximo e distante, com suas sedas ricamente bordadas e seus tecidos com misturas de fios - como o chamalote, em que se entrelaçam seda e lã, e o gazar, uma seda muito fina - aqueceu o mercado têxtil do final do período medieval e trouxe para a Europa novos costumes, como o uso do véu pelas mulheres. (800-1300)

Renascimento

A redescoberta do humanismo da Antiguidade clássica e a difusão da ciência dos árabes transformaram a cultura medieval, trazendo mudanças na forma de conceber e construir o vestuário. Uma nova racionalidade marcaria tanto a indumentária masculina quanto feminina com o surgimento das primeiras modelagens complexas e que revelavam uma maior preocupação ergométrica. Como acessório e ornamento, os chapéus passaram a ter uma presença mais expressiva. Para alguns, este é o período em que verdadeiramente nasce a moda, graças à maior liberdade de criação e apropriação individual dos estilos de indumentária. Imitando o gosto e os modos da nobreza, a burguesia em ascensão os transformaria, estendendo-os para camadas mais amplas da sociedade. (1400 -1500 DC)

O impacto das navegações

As novas ciências que os árabes e judeus trouxeram às cortes da Europa abriram aos navegadores o domínio do Mar Oceano. Então, as naus lusitanas se encarregaram de por em contato as mais distantes partes do mundo, criando oportunidades de comércio até então insuspeitadas. Na carreira das Índias, os portugueses chegaram até a China e o Japão. Junto com os biombos de seda pintada e as finas louças da Companhia das Índias, novos tecidos e cores deste outro longínquo Oriente passaram a fazer parte do dia-a-dia das cortes européias, para então se difundirem entre a gente comum, até mesmo nas terras da América. Assim se refletiria na moda esse novo tempo das descobertas. (1500 -1700)

Sob o reinado de Elizabeth

A abertura para o outro sempre põe em risco a própria identidade. Assim, à medida que as navegações escancaravam o mundo diante dos europeus, as sociedades européias aos poucos se enrijeciam, fechando-se sobre si mesmas. Na Península Ibérica, a Inquisição saía à caça dos cristãos novos e na Inglaterra, sob o reinado de Elizabeth, o rigorismo puritano chegava ao auge. A Reforma depois reclamada por Calvino e Lutero seguiria na mesma direção. E a indumentária refletiu esse movimento, na convergência de impulsos de origens distintas. Influenciada pela moda espanhola, a Inglaterra adotou os rufos, golas armadas que cobriam todo o pescoço, e os vestidos com saias estruturadas, com corpetes que praticamente anulavam os seios. Assim se abria caminho para uma nova rigidez, no vestuário e na vida social, que conheceria uma longa história. (1500 e 1700)

Paris dita moda

Uma extravagante profusão de cores, laços e fitas marcou a moda masculina e feminina na França do Antigo Regime. Os cabelos cacheados nas perucas eram obrigatórios e os penteados se tornavam produções quase carnavalescas. Exigia-se o mesmo requinte nos acessórios e calçados. A Revolução transformou esse quadro, trazendo um novo gosto pela simplicidade, e um tom de pastoral ganhou a moda, nas saias camponesas e corpetes juvenis. Depois, a era napoleônica conciliaria luxo e simplicidade. Sob o Império, desafiando o clima, as mulheres se mostravam em modelos onde a sensualidade era explorada em decotes, tecidos fluidos e drapeados sutis. A Restauração conteve esses excessos, mantendo o corte abaixo do busto, mas em formas mais estruturadas e sem transparências, e introduzindo o uso dos chapéus. (1700-1850)

O domínio Vitoriano

Terminada a era das revoluções, que se sucederam em 1848 e 1870, Paris, que até então ditava moda, descobriu que a Inglaterra tinha uma moda própria. Por todo o século, o longo reinado de Vitória havia imprimido sua marca de austeridade nos modos e na moda. Pela primeira vez, uma sociedade inteiramente burguesa se orgulhava de seu gosto pela discrição. A moda feminina evitava qualquer excesso e os trajes masculinos haviam abandonado definitivamente as cores e os ornamentos. Não por acaso, os dândis tentaram rebelar-se contra essa contenção burguesa, reivindicando o antigo requinte e sofisticação da moda masculina, mas foram alvo de uma crítica acerba. Apesar da aparência saudosista, seu protesto é inteiramente moderno, sendo considerado o primeiro movimento da moda que se associa a uma filosofia de vida.

A virada do século

A crença no poder ilimitado do progresso trouxe à Europa da virada do século XX um clima de euforia, frente às mudanças a que assistia. O avanço das comunicações e dos transportes encurtava distâncias e o mundo parecia ao alcance da mão. A atração do exótico invadia a arte e a cultura, mas sem representar uma ameaça à civilização que se consolidara na Europa. Por isso esse período, conhecido como era Eduardiana na Inglaterra, foi chamado na França de Belle Époque. Na moda, um novo padrão de beleza se impôs, exigindo cinturas finíssimas, conseguidas através de espartilhos extremamente ajustados. Para o homem, o ideal era uma silhueta longilínea e, sem o recurso das cores e inovações no traje, restavam como adorno os acessórios, relógios, abotoaduras, o infalível cravo na lapela e, de preferência, longos bigodes.

Poiret

É no cenário da moda do início do século XX, marcada por uma estranha mistura de rigidez e frivolidade inconseqüente, que Paul Poiret desponta como grande estilista. Tendo sua esposa como musa e modelo, suas criações libertaram a mulher do uso dos sofridos espartilhos. Em formas fluidas e elegantes, Poiret criou um novo modo de vestir feminino, copiado depois em todo o mundo durante décadas.

Chanel

Uma mulher se tornaria ícone da história do vestuário ao abalar toda uma sociedade, quando se apresentou trajando calças masculinas em um evento público. As criações de Coco Chanel, que chocaram a princípio pela sua praticidade e a simplicidade quase singela do corte retilíneo e a ausência de adornos, hoje são clássicos de elegância, como o tailleur, que se integrou definitivamente ao vestuário feminino, como parte de uma moda perene.

Cinema

As grandes divas que o cinema tornou conhecidas em todo o mundo foram o principal elemento que influenciou as pessoas comuns com relação à moda. Personalidades como Greta Garbo, Betty Davis, Marlene Dietrich, Rita Hayworth, Grace Kelly, Audrey Hepburn e tantas outras popularizaram criações de grandes estilistas, que depois foram copiadas em versões mais baratas pelo mundo afora.